Escuto no silêncio que há em mim e basta. Outro tempo começou pra mim agora...

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Mais uma vez vc foi, meu amor... Foi ficar longe de mim, que tanto já lhe amo... Meu coração ficou pequenininho ao levá-la para fazer todos exames  pedidos... Um serzinho tão indefeso, tão pequeno ainda e que em tão pouco tempo já demonstra amor sem medida, lealdade sem tamanho... Tirando sangue, fazendo raio x, exame de urina. A minha dor era certamente maior que a sua.
Estou rezando e tendo muita esperança que tudo dê certo,  que tudo acabe bem e que vc volte pro seu lar, onde todos te esperam com muita saudade e dor pela sua ausência.



Para um cão,você não precisa de carrões,de grandes casas ou roupas de marca. Símbolos de status não significavam nada para ele. Um graveto já está ótimo. Um cachorro não se importa se você é rico ou pobre, inteligente ou idiota, esperto ou burro. Um cão não julga os outros por sua cor, credo ou classe, mas por quem são por dentro. Dê seu coração a ele, e ele lhe dara o dele. É realmente muito simples, mas, mesmo assim, nós humanos, tão mais sábios e sofisticados, sempre tivemos problemas para descobrir o que realmente importa ou não. De quantas pessoas você pode falar isso? Quantas pessoas fazem você se sentir raro, puro e especial? Quantas pessoas fazem você se sentir extraordinário?
Marley e eu



O amor e a morte
23/02/1997
RIO DE JANEIRO - Foi em dezembro, dez anos atrás. Mila teve nove filhotes, impossível ficar com a ninhada inteira, fiquei com aquela que me parecia a mais próxima da mãe.
Nasceu em minha casa, foi gerada em minha casa, nela viveu esses dez anos, participando de tudo, recebendo meus amigos na sala, cheirando-os e ficando ao lado deles — sabendo que, de alguma forma, devia homenageá-los por mim e por ela.
Ao contrário da mãe, que tinha alguma autonomia existencial, aquilo que eu chamava de "fumos fidalgos", como o Dom Casmurro, Titi era um prolongamento, o dia e a noite, o sol e todas as estrelas, o universo dela centrava-se em acompanhar, resumia-se em estar perto.
Quando Mila foi embora, há dois anos, ela compreendeu que ficara mais importante — e, se isso fosse possível, mais amada. Escoou com sabedoria a dor e o pranto, a ausência e a tristeza, e se já era atenta aos movimentos mais insignificantes da casa, com o tempo tornou-se um pedaço significante da vida em geral e do meu mundo em particular.
Vida e mundo que deverão, agora, continuar sem ela — se é que posso chamar de continuação o que tenho pela frente. Perdi alguns amigos, recentemente, mas foram perdas coletivas que doeram, mas, de certa forma, são compensadas pela repartição do prejuízo.
Perder Titi é um "resto de terra arrancado" de mim mesmo — e estou citando pela segunda vez Machado de Assis, que criou um cão com o nome do dono (Quincas Borba) e sabia como ninguém que dono e cão são uma coisa só.
Essa "coisa só" fica mais só, nem por isso fica mais forte, como queria Ibsen. Fica apenas mais sozinho mesmo, sem ter aquele olhar que vai fundo na gente e adivinha até a alegria e a tristeza que sentimos sem compreender. Sem Titi, é mais fácil aceitar que a morte seja tão poderosa, desde que seja bem menos poderosa do que o amor.


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